O Homem das Neves está a dormir em cima de uma árvore, embrulhado num lençol velho, a chorar a morte da sua amada Órix, e do seu melhor amigo, Crex, enquanto lentamente morre de fome. Durante o dia procura mantimentos numa terra devastada, assolada por insectos e onde os bacorões e os lobicães saqueiam as plebelândias - em tempos habitadas por gente comum - e também os Complexos, onde viviam as mentes extraordinárias.
À medida que o Homem das Neves vai tentando compreender o que aconteceu, a narrativa retrocede algumas décadas. Como é que tudo se desmoronou tão rapidamente? Porque lhe restam apenas memórias assustadoras? Sozinho, à excepção dos Filhos de Crex, criaturas de olhos verdes que o consideram uma espécie de monstro inexplicável, ele explora as respostas a estas incógnitas na dupla jornada que faz: ao seu próprio passado e de regresso à “bolha” de Crex, a cúpula de alta tecnologia onde o Projecto Paraísso tomou forma e o mundo mergulhou na aniquilação.
Com um espantoso domínio sobre o material chocante com que tece a sua história, e a acutilância e o humor negro que lhe são habituais, Margaret Atwood projecta-nos para um bem pouco admirável mundo novo, um espaço grotesco e, no entanto, totalmente credível, povoado por um conjunto de personagens que continuarão a habitar os nossos sonhos muito para além do último capítulo.
…ou não estivesse Margaret Atwood no auge da sua força criativa.
“Engenhoso e perturbante… Uma obra de referência na ficção especulativa, comparável a A Laranja Mecânica e Admirável Mundo Novo… Atwood superou-se.” Kirkus Review
“Absorvente. Chesterton escreveu em tempos sobre ‘os milhares de romances que se encontram escondidos em A Origem das Espécies’. Margaret Atwood extraiu um dos mais arrepiantes e brilhantes.” Publishers Weekly
“Sombrio, seco, escabrosamente espirituoso, mas ao mesmo tempo comovente e recheado com momentos de pura poesia. O seu glorioso admirável mundo novo é ainda mais arrepiante por ser um espelho do nosso próprio mundo.” The Independent
“Um dos mais surpreendentes romances do ano.” The Economist
“Uma fábula feroz.” L’Express
“Uma parábola política e filosófica impar.” Lire
“Parábola sobre a ciência, longo pesadelo fascinante e ao mesmo tempo minuciosamente realista, Órix e Crex – O Último Homem é também um romance didáctico, um livro extremamente terno sobre as fidelidades adolescentes. Estamos perante a melhor obra de Margaret Atwood, na qual a riqueza dos detalhes contribui para a força visionária do conjunto.” Le Point