Esta é uma obra que reflecte um olhar atento, lúcido e apaixonado sobre a escolarização secundária de uma jovem bem comportada que não se deixa aprisionar pelo sem sentido da escola. Esta é uma escrita fruto de uma dor sentida, quando se vê a incongruência entre a vida
e a educação escolar. Este é um discurso construído a partir das vivências, das relações, dos sonhos e dos pesadelos de Ana.
E que dá conta do sofrimento (in)útil (de alunos, de pais e de professores), do universo contraditório de visões e de práticas, do conflito de valores. Aqui veremos os exemplos concretos do arquipélago de solidões,
do território minado, do castigo de Sísifo – tudo metáforas que servem para dizer a ruína de um ensino secundário ainda longe de responder ao anseio humano e sobre determinado pelos testes e exames.
É, por isso, uma obra onde se sente o pulsar do coração. O pulsar
dos corações das pessoas presas, mas que não desistem do voo.